01
Vermelhidão
Olho vermelho que aparece sem causa aparente e não melhora em algumas horas.
Procedimentos
Sempre que a doença permite, substitui-se apenas a camada comprometida. A profundidade do problema define a técnica, e a técnica define recuperação, tempo de pontos e risco de rejeição.
A córnea é a lente frontal do olho e responde por cerca de dois terços do seu poder de focalização. Para cumprir esse papel ela precisa ser transparente e regular, e é transparente por um motivo ativo: uma camada de células na face interna, o endotélio, bombeia água para fora do tecido o tempo todo e o mantém desidratado.
As doenças que levam ao transplante atacam essa arquitetura por caminhos diferentes. Algumas comprometem o endotélio e a córnea incha e embaça. Outras deixam cicatrizes e irregularidades nas camadas da frente, e a luz se espalha ao atravessá-las. Cada uma pede uma resposta diferente.
Durante décadas a resposta foi única: trocar toda a espessura da córnea por um botão doador. Hoje é possível separar as camadas e substituir apenas a que está doente, preservando o restante do tecido do próprio paciente. Essa mudança alterou os prazos de recuperação e o comportamento do enxerto ao longo dos anos.

Indicações
Perda progressiva das células endoteliais, com córnea que incha e embaça mais pela manhã e clareia ao longo do dia. É a principal indicação das técnicas endoteliais.
O endotélio pode ficar comprometido após cirurgias complexas ou repetidas dentro do olho, com edema persistente e dor nos casos avançados.
Quando a irregularidade ou a cicatriz impedem a reabilitação por lentes de contato. Com endotélio saudável, a via preferencial é lamelar.
Sequelas de infecções, traumas e queimaduras químicas. A profundidade da cicatriz define se cabe uma técnica lamelar.
Depósitos hereditários que turvam o estroma de forma progressiva e simétrica entre os dois olhos.
Um transplante pode perder a transparência anos depois. O retransplante é possível, com planejamento próprio e risco maior que o da primeira cirurgia.
Técnicas
A córnea tem cinco camadas, e a doença raramente atinge todas. As técnicas abaixo se diferenciam pelo plano em que o cirurgião separa o tecido: quanto mais posterior o problema, mais fina é a lâmina transplantada.
Percorra cada técnica para ver o que é substituído e o que permanece do próprio paciente.
As espessuras indicadas são valores médios de referência. A técnica de cada paciente depende dos seus exames e do tecido disponível.
Corte da córnea
Superfície
Interior do olho
Substitui apenas a membrana de Descemet e o endotélio doente, em uma lâmina de poucas dezenas de micrômetros que é enrolada, injetada dentro do olho e posicionada com uma bolha de ar contra a face interna da córnea. Não há pontos no tecido transplantado. Por não acrescentar estroma, a técnica preserva a curvatura original da córnea e altera pouco o grau. A contrapartida é a manipulação delicada de um tecido muito fino, com necessidade de o paciente permanecer deitado de barriga para cima nas primeiras horas, para que a bolha mantenha a lâmina no lugar.
Indicada principalmente em
Banco de olhos
O tecido vem de doação, captada após a confirmação do óbito e a autorização formal da família. A retirada precisa acontecer em poucas horas, e o tecido é encaminhado a um banco de olhos credenciado.
No banco, a córnea passa por avaliação sorológica do doador, exame em lâmpada de fenda e contagem das células endoteliais em microscopia especular. Esse número é decisivo: ele define se o tecido serve, e para qual técnica. Uma córnea aprovada é conservada em meio próprio e permanece viável por alguns dias.
A distribuição segue lista única, organizada pela Central de Transplantes do estado dentro das regras do Sistema Nacional de Transplantes. A inscrição em lista é feita pelo serviço que vai realizar a cirurgia, e a posição considera critérios técnicos, tempo de espera e a urgência de cada caso.
Ao contrário de outros órgãos, a córnea é avascular, o que dispensa a compatibilidade sanguínea entre doador e receptor na maior parte dos casos e simplifica a logística de distribuição.
Sinal de alerta
A rejeição é tratável quando identificada cedo, e o prognóstico piora a cada dia de atraso. Todo paciente transplantado sai da consulta sabendo reconhecer estes sinais, em qualquer momento, mesmo anos depois da cirurgia.
01
Olho vermelho que aparece sem causa aparente e não melhora em algumas horas.
02
Incômodo com a claridade que surge ou piora de forma nova.
03
Embaçamento ou piora da nitidez em relação ao que já estava estabelecido.
04
Dor no olho operado, de qualquer intensidade, fora do período pós-operatório imediato.
Qualquer um desses sinais é motivo para procurar atendimento no mesmo dia. O risco de rejeição não termina: ele diminui com o tempo e permanece pela vida do enxerto.
Riscos e limitações
O transplante de córnea tem taxas de sucesso altas quando comparado a outros transplantes, e carrega riscos que precisam ser conhecidos antes da decisão.
O organismo reconhece o tecido doador como estranho e o ataca. É mais provável nas técnicas que transplantam o endotélio, e o tratamento precoce com corticoide reverte boa parte dos episódios.
O enxerto pode perder a transparência com o tempo, por rejeição repetida ou por perda progressiva de células endoteliais. O retransplante é possível.
Esperado nas técnicas com sutura, e pode ser alto o bastante para exigir lentes rígidas mesmo com o enxerto transparente.
Nas técnicas endoteliais, a lâmina pode não aderir e exigir uma nova injeção de ar nos primeiros dias.
Associados ao uso prolongado de corticoide e à própria cirurgia. Exigem acompanhamento da pressão intraocular ao longo de todo o seguimento.
Incomum e grave, com risco aumentado enquanto houver pontos expostos ou epitélio não cicatrizado.
Em transplantes lamelares anteriores, pode ser necessário converter para penetrante durante a cirurgia, o que é discutido e consentido antes.
O resultado visual depende também do restante do olho. Uma córnea transparente não devolve visão que a retina ou o nervo óptico já perderam, e essa expectativa é alinhada na avaliação.
Corpo clínico
Médico · CRM/SP 48586 · RQE 44477
Catarata e Cirurgia Refrativa
Um dos pioneiros da cirurgia de catarata em Bauru, com mais de 40.000 cirurgias realizadas e mais de 5.000 cirurgias refrativas.
Médico · CRM/SP 150907 · RQE 87134
Catarata e Glaucoma
Doutor em glaucoma pela FMUSP e vice-chefe do Setor de Glaucoma do Hospital das Clínicas da FM-USP.
Médico · CRM/SP 192136 · RQE 91873
Catarata, Córnea e Cirurgia Refrativa
Preceptor de córnea e catarata da residência do CEO-Bauru, com dois títulos de especialista em Oftalmologia.
Bauru e região
A clínica fica na Rua Paulo Torralba, 1-11, em Bauru, e recebe pacientes do centro-oeste paulista para avaliação e cirurgia de córnea.

Leituras relacionadas
A principal causa de transplante lamelar anterior.
Endotélio comprometido após cirurgia intraocular.
Correção do grau em córneas saudáveis.
Dúvidas
Bauru, São Paulo
O primeiro passo é entender o seu caso com exames e tempo de consulta adequados.