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GERMANOOFTALMOLOGIA

Procedimentos

Ceratocone em Bauru

Estabilizar a córnea que está mudando e reabilitar a visão que já foi comprometida. São dois objetivos distintos, e o tratamento começa por saber qual deles está em jogo.

Diagnóstico
Tomografia de córnea, mapeamento epitelial e acompanhamento seriado
Estabilização
Crosslinking em córneas com progressão documentada
Reabilitação
Lentes especiais, anel intraestromal e transplante lamelar
Idade crítica
Adolescência e início da vida adulta, quando a progressão é mais rápida

Uma doença da estrutura da córnea

O ceratocone é uma doença da estrutura da córnea. As fibras de colágeno que dão rigidez ao tecido perdem parte das ligações que as mantêm organizadas, e a córnea deixa de resistir uniformemente à pressão interna do olho. A região mais frágil cede, afina e se projeta para fora, assumindo um formato cônico.

A consequência óptica é uma superfície irregular. A luz que atravessa uma córnea assim chega à retina desorganizada, e a imagem sai distorcida em vez de apenas desfocada. Isso explica por que o grau muda com frequência, por que o astigmatismo aumenta e muda de eixo, e por que os óculos deixam de resolver em determinado ponto.

A doença costuma começar na adolescência e evoluir ao longo da segunda e terceira décadas, com velocidades muito diferentes entre pacientes e entre os dois olhos da mesma pessoa. Em boa parte dos casos ela estaciona na vida adulta.

Ambiente clínico da Germano Oftalmologia, em Bauru

Quando suspeitar

Os sinais que levam a uma tomografia

  • Piora rápida do grau, sobretudo do astigmatismo
  • Eixo do astigmatismo que muda de uma consulta para outra
  • Visão distorcida ou com sombras, mesmo com o grau atualizado
  • Sensibilidade à luz e halos ao redor de fontes luminosas
  • Coceira ocular frequente e hábito de esfregar os olhos
  • Diagnóstico de ceratocone em parente de primeiro grau
  • Necessidade de aproximar o texto ou apertar os olhos para ler

Fator modificável

O hábito de coçar os olhos

Entre tudo o que se discute sobre ceratocone, esse é o ponto de maior impacto e o menos levado a sério. O atrito repetido aplica força mecânica sobre uma córnea que já resiste mal, e a associação entre o hábito de esfregar os olhos e a progressão da doença é consistente na literatura.

O gatilho quase sempre é a alergia ocular. A coceira leva a esfregar, esfregar libera mais mediadores inflamatórios, e o ciclo se fecha. Tratar a alergia deixa de ser conforto e passa a ser parte do tratamento do ceratocone.

Dormir de bruços com o rosto no travesseiro, apoiar a mão no olho ao ler e esfregar ao acordar entram na mesma conta. São hábitos que o paciente raramente relata sem ser perguntado diretamente.

Diagnóstico

O que o exame precisa mostrar

A topografia de curvatura sozinha identifica o ceratocone já instalado. Encontrar a doença cedo, e acompanhar se ela está mudando, depende de um conjunto maior.

  • Tomografia de córnea

    Analisa as faces anterior e posterior e a distribuição de espessura em toda a extensão. A face posterior costuma alterar-se antes da anterior, o que antecipa o diagnóstico.

  • Mapa paquimétrico

    Localiza o ponto mais fino da córnea e descreve como a espessura aumenta a partir dele, padrão que diferencia córneas finas normais de córneas ectásicas.

  • Índices de elevação e progressão

    Comparam a córnea do paciente com padrões de normalidade e quantificam desvios que passam despercebidos na leitura visual dos mapas.

  • Mapeamento epitelial

    O epitélio afina sobre o cone e engrossa ao redor, mascarando a irregularidade do estroma. O mapa revela o que a superfície esconde.

  • Microscopia especular

    Avalia a contagem endotelial, informação necessária quando se discute anel intraestromal ou transplante.

  • Acompanhamento seriado

    Mapas repetidos no mesmo equipamento, em intervalos definidos, são o único modo de documentar progressão com segurança.

O que conta como progressão

A palavra progressão carrega uma decisão cirúrgica, e por isso ela precisa de critério. De forma geral, considera-se progressão a piora consistente em mais de um parâmetro ao longo do tempo: aumento da curvatura na região mais curva da córnea, afinamento no ponto mais fino e alteração da refração e da acuidade que acompanha essas mudanças. Medidas isoladas variam entre exames, o que torna a comparação seriada no mesmo aparelho mais confiável do que qualquer valor único. Em pacientes jovens, a vigilância é mais próxima, porque a doença tende a evoluir mais rápido nessa faixa.

Conduta

Duas perguntas, feitas em separado

A conduta no ceratocone costuma ser apresentada como uma escada, com um tratamento para cada estágio. A prática é outra: duas perguntas independentes, respondidas por exames diferentes.

A primeira é se a córnea está mudando. Ela é respondida por tomografias comparadas ao longo do tempo, e a resposta define se há indicação de estabilizar.

A segunda é quanto a visão já foi comprometida. Ela é respondida pela acuidade visual com a melhor correção possível, e define o caminho de reabilitação.

Um olho pode estar progredindo e enxergando bem com óculos. Outro pode estar completamente estável e sem visão útil com correção óptica. Cada combinação leva a um plano diferente.

A córnea está mudando?

Mapas seriados mostram afinamento ou aumento de curvatura

Quanto a visão foi comprometida?

O quadro descreve a lógica geral de decisão e serve para orientar a conversa da consulta. A conduta de cada paciente depende dos seus próprios exames.

Objetivo

Interromper a progressão enquanto a visão ainda está preservada. É a situação mais favorável de todas, e também a que mais escapa do diagnóstico.

  • Crosslinking

    Indicado justamente aqui, com progressão confirmada e córnea com espessura suficiente. O procedimento visa estabilizar a estrutura, preservando a visão que o paciente ainda tem.

  • Controle do ato de coçar

    Tratamento da alergia ocular e orientação específica. É a medida de maior impacto e a de menor custo.

  • Óculos mantidos

    A correção óptica segue em uso, com revisões mais frequentes do grau.

O que se evita neste cenário

  • Cirurgia refrativa a laser, em qualquer técnica
  • Adiar o crosslinking para 'ver como evolui'

Estabilização

Crosslinking: o que ele faz e o que não faz

O procedimento satura a córnea com riboflavina e a expõe à luz ultravioleta A. A reação fotoquímica cria ligações cruzadas adicionais entre as fibras de colágeno, o que aumenta a rigidez do tecido e visa deter o processo de afinamento.

O objetivo é estabilizar. Uma parte dos pacientes apresenta alguma regularização da curvatura ao longo dos meses seguintes, com ganho visual, e isso é um efeito secundário, sem garantia de ocorrer. A expectativa combinada antes do procedimento é a de preservar a visão existente.

O pós-operatório lembra o de uma ablação de superfície: o epitélio precisa se refazer, os primeiros dias são desconfortáveis e a visão oscila por semanas. Existe espessura mínima de córnea para que o procedimento seja seguro, e protocolos adaptados quando ela está no limite.

Quem mais na família deve ser examinado

O ceratocone tem componente familiar, e parentes de primeiro grau de um paciente diagnosticado têm risco maior do que a população geral. Irmãos e filhos adolescentes de quem tem ceratocone merecem uma tomografia de córnea mesmo sem queixa visual, porque o momento de maior benefício do tratamento é justamente aquele em que o paciente ainda enxerga bem.

Da primeira consulta ao acompanhamento

O percurso habitual de quem chega com suspeita ou diagnóstico de ceratocone.

  • Primeira consultaRefração completa, acuidade com a melhor correção, tomografia de córnea e avaliação da superfície ocular. Quando há exames anteriores, eles entram na comparação.
  • Definição do cenárioCom os mapas em mãos, define-se se há progressão documentada e qual o grau de comprometimento visual. As duas respostas juntas determinam a conduta.
  • EstabilizaçãoQuando indicada, é conduzida antes de qualquer planejamento de reabilitação. O pós-operatório do crosslinking exige colírios, retornos próximos e paciência com a oscilação visual das primeiras semanas.
  • ReabilitaçãoAdaptação de lentes especiais, anel intraestromal ou transplante, conforme o caso. A adaptação de lentes costuma exigir mais de uma sessão até o ajuste definitivo.
  • AcompanhamentoTomografias seriadas seguem por anos, mesmo após a estabilização. O controle da alergia ocular permanece como orientação permanente.

Riscos e limitações

O que também precisa ser dito

Cada caminho de tratamento tem seus riscos, e eles entram na conversa antes da decisão.

  • Crosslinking

    Dor nos primeiros dias enquanto o epitélio se refaz, oscilação visual por semanas, haze corneano transitório e, com menor frequência, infecção ou atraso na cicatrização. A progressão pode persistir em uma parcela dos casos, o que torna o acompanhamento posterior obrigatório.

  • Anel intraestromal

    Extrusão do segmento, migração, infecção no túnel e resultado refrativo abaixo do esperado. O anel pode ser explantado, o que devolve a córnea ao estado anterior na maior parte dos casos.

  • Lentes de contato especiais

    Desconforto até o ajuste, risco de infecção com higiene inadequada e necessidade de trocas periódicas. A adaptação depende de disciplina do paciente.

  • Transplante de córnea

    Rejeição, astigmatismo residual elevado, glaucoma e catarata associados ao uso prolongado de corticoide. A recuperação visual é medida em meses, e os pontos permanecem por longo período.

  • Progressão apesar do tratamento

    Nenhum procedimento elimina a possibilidade de a doença continuar avançando. O acompanhamento existe para identificar isso cedo.

O ceratocone raramente leva à cegueira. Com diagnóstico em tempo e acompanhamento consistente, a maior parte dos casos é estabilizada e reabilitada visualmente.

Corpo clínico

Quem conduz o tratamento

Dr. Jorge Germano

Médico · CRM/SP 48586 · RQE 44477

Catarata e Cirurgia Refrativa

Um dos pioneiros da cirurgia de catarata em Bauru, com mais de 40.000 cirurgias realizadas e mais de 5.000 cirurgias refrativas.

Dr. Renato Germano

Médico · CRM/SP 150907 · RQE 87134

Catarata e Glaucoma

Doutor em glaucoma pela FMUSP e vice-chefe do Setor de Glaucoma do Hospital das Clínicas da FM-USP.

Dr. Flávio Germano

Médico · CRM/SP 192136 · RQE 91873

Catarata, Córnea e Cirurgia Refrativa

Preceptor de córnea e catarata da residência do CEO-Bauru, com dois títulos de especialista em Oftalmologia.

Bauru e região

De onde chegam os pacientes

A clínica fica na Rua Paulo Torralba, 1-11, em Bauru, e recebe pacientes do centro-oeste paulista para diagnóstico e tratamento de ceratocone.

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Sala de exames da Germano Oftalmologia, em Bauru

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Dúvidas

Ceratocone: dúvidas frequentes

Bauru, São Paulo

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